26/8/2009...4:22

Apesar do reformulação, algo se faz necessário…

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Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.

José Saramago, sobre o twitter.

Havia decido que não devia trabalhar em nenhum texto em especial até a reformulação desse espaço, mas simplesmente não poderia deixar esse comentário passar em branco sem fazer os meus – não tão importantes, mas que tentarão ser tão pertinentes ao assunto quanto os do honorável escritor português.

Para começar, alguns esclarecimentos. O primeiro é de que não gosto nem desgosto das obras de Saramago. Nunca as li, mas elas nunca realmente me atraíram o suficiente para isso. Reconheço e respeito seu trabalho e suas idéias, o suficiente para me importar com este comentário.

Penso que acreditar que o twitter reflete uma tendência à bestialização é fazer coro aos diversos “profetas do apocalipse” que vêm as novas mídias como uma espécie de Satã, devorador da cultura e dos valores iluministas. Um pensamento simplista, se me permitem a ousadia.

As mídias digitais são um grande acúmulo de material de gosto e valores duvidosos? Sem dúvida. Assim como a literatura. Para cada Saramago ou Machado de Assis que já existiram na história da humanidade, milhares ou centenas de milhares de pretensos escritores sujaram algumas prateleiras ao redor do mundo. E isso não desgraçou a humanidade. Não por si só, ao menos.

A confusão que ainda se faz é confundir o meio com a mensagem. O uso com a ferramenta. Precisamos estar atentos para inadvertidamente não cair no ímpeto ludista causado pela pavor causado pela velocidade do desenvolvimento de novos meios de comunicação, ou de novos usos dos meios de comunicação.

Com todo o respeito ao sr. Saramago, não cai bem para um intelectual de seu porte que sempre se mostrou alinhado com as novas experiências de mídia (causou-me uma surpresa extremamente positiva saber que ele mantinha um blog) se apavorar de tal forma com um simples aplicativo como o twitter.

Não estamos numa regressão acelerada rumo à bestialidade por causa dele. Tampouco rumo a uma espécie de ascensão através da tecnologia. Não mais do que estávamos ao desenvolver a chave de fenda ou o plástico. Uso e ferramenta. Cuidemos para não nos confundir.

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